1. Introdução
Você confiaria a chave de sua casa a um estranho? Agora, pense que seus dados biométricos (sua impressão digital, seu rosto ou a íris dos seus olhos) são como essa chave. Diferente de uma senha, que pode ser alterada, essas informações são únicas e permanentes. E se elas forem comprometidas, não há como mudá-las.
Essa ameaça não é mais um risco distante, mas uma realidade crescente. Segundo relatório do Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), o Brasil registrou mais de 4.000 vazamentos de dados em 2024, um aumento expressivo em relação aos 906 casos de 2023. Entre esses dados, informações biométricas são cada vez mais alvos de cibercriminosos, que comercializam impressões digitais, padrões faciais e íris no mercado clandestino.
Não à toa, 60% dos brasileiros demonstram receio ao fornecer seus dados biométricos, especialmente para bancos e órgãos governamentais, de acordo com pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). E esse receio é justificável: ao contrário de um cartão de crédito, você não pode simplesmente cancelar sua biometria e gerar uma nova.
Mas por que esses dados são tão cobiçados? Como funcionam os mercados clandestinos que os exploram? E, mais importante, como podemos proteger nossa identidade digital nesse cenário?
Ao longo deste artigo, vamos explorar os riscos invisíveis da comercialização de dados biométricos, como criminosos utilizam essas informações e quais as melhores estratégias para garantir sua segurança digital.
Boa leitura!
2. Dados biométricos: por que são tão valiosos?
Em um mundo cada vez mais digital, a biometria se tornou peça-chave na segurança de dados e identidade. Sua popularização aconteceu porque os dados biométricos oferecem um nível de proteção muito superior a senhas tradicionais. Mas essa mesma exclusividade que os torna tão eficientes também os transforma em um dos alvos mais visados por cibercriminosos.
Hoje, governos, bancos e empresas de tecnologia dependem da biometria. Ao mesmo tempo, o mercado clandestino que comercializa essas informações cresce rapidamente. E há uma razão para isso: dados biométricos não podem ser substituídos, tornando-os ainda mais valiosos para quem busca fraudar sistemas de autenticação.
Mas afinal, porque esses dados são considerados “senhas digitais”? E o que acontece se forem comprometidos? Vamos entender a seguir.
2.1. “Senhas digitais”: o que são?
Diferente de códigos numéricos e senhas alfanuméricas, que podem ser redefinidos caso vazem, os dados biométricos são características únicas e permanentes do nosso corpo. Isso significa que eles funcionam como chaves de acesso digitais — você não pode esquecê-los, mas também não pode trocá-los se forem comprometidos.
Esse método de autenticação é amplamente usado em:
- Bancos e fintechs, para login e autorização de transações financeiras;
- Smartphones e dispositivos eletrônicos, como desbloqueio por digital ou reconhecimento facial;
- Controle de acesso físico, em empresas, aeroportos e instalações sensíveis.
A promessa desse modelo é garantir mais segurança e conveniência, mas sua imutabilidade também representa um risco crítico.
2.2. O risco da imutabilidade e clonagem biométrica
Se uma senha vazar, basta alterá-la. Mas e se sua biometria for comprometida?
Dessa forma, o maior desafio da autenticação biométrica está justamente na imutabilidade. Quando dados como sua íris ou impressão digital são clonados, eles podem ser utilizados para fraudes, espionagem digital e até monitoramento não autorizado.
Relatórios indicam que cibercriminosos já conseguem replicar impressões digitais a partir de fotos de alta resolução. Além disso, ataques de deepfake facial também estão evoluindo rapidamente, permitindo que criminosos burlem sistemas de reconhecimento facial para acessar contas bancárias e informações pessoais.
Isso significa que, sem medidas avançadas de proteção, essa tecnologia que deveria ser uma camada extra de segurança possa se tornar uma vulnerabilidade irreversível.
A adoção da biometria se expandiu rapidamente nos últimos anos como solução de segurança, mas esse avanço trouxe consigo um novo desafio: o que acontece quando esses dados caem em mãos erradas?
Na próxima seção, exploramos como criminosos capturam e comercializam dados biométricos no mercado clandestino.
3. O mercado clandestino de biometria e seus perigos
Os dados biométricos são apresentados como uma solução inovadora e segura para a autenticação digital. No entanto, sua popularização trouxe consigo um problema: a exploração criminosa dessas informações. Diferente de senhas convencionais, que podem ser trocadas caso vazem, dados biométricos são permanentes. Isso significa que, uma vez comprometidos, não há como substituí-los, tornando-os ativos altamente valiosos para criminosos digitais.
Nos últimos anos, um mercado clandestino estruturado surgiu na dark web, onde impressões digitais, padrões faciais e escaneamentos de íris são roubados, negociados e utilizados para fraudes. Esse comércio ilícito não apenas expõe indivíduos a golpes financeiros e roubo de identidade, como também representa riscos para empresas e até para governos, que podem ter seus sistemas invadidos e seus cidadãos monitorados sem consentimento.
Como esses dados são obtidos? Quem os compra? Quais as implicações desse mercado ilegal para a sociedade? É o que vamos ver a seguir.
3.1. Como criminosos obtêm e comercializam esses dados
Os dados biométricos não podem ser roubados da mesma forma que senhas ou informações bancárias comuns. Como são características únicas e inalteráveis do corpo humano, criminosos precisam de métodos mais sofisticados para obtê-los e explorá-los. Os principais vetores de ataque incluem vazamentos massivos de bancos de dados, engenharia social, malwares e a evolução das deepfakes e técnicas de spoofing.
Os vazamentos de bancos de dados são, atualmente, a principal porta de entrada para o mercado clandestino de biometria. Empresas e instituições públicas que armazenam milhões de registros biométricos se tornam alvos constantes de ataques hackers, que invadem sistemas e roubam informações de clientes e cidadãos. No cenário internacional, o caso da Suprema, empresa de segurança que armazenava acesso biométrico para sistemas protegidos, exemplifica o impacto desses ataques. Em um único vazamento, 27,8 milhões de registros biométricos foram comprometidos.
Outro método eficaz para roubar biometria é a engenharia social. Nesse tipo de golpe, as vítimas são induzidas a fornecerem voluntariamente seus dados, sem perceber que estão sendo enganadas. Aplicativos fraudulentos, e-mails falsos e até filtros de redes sociais podem ser utilizados para capturar padrões faciais ou digitais de usuários desavisados. Cibercriminosos também exploram a popularização do reconhecimento facial para enganar pessoas com golpes que solicitam “verificação de identidade” em nome de bancos ou serviços online.
Com o avanço das deepfakes e do spoofing biométrico, a falsificação de identidade se tornou ainda mais sofisticada. Técnicas avançadas permitem a recriação de rostos e vozes, possibilitando que criminosos se passem por outras pessoas e enganem sistemas de segurança. De acordo com uma matéria do jornal El País, os casos de pornografia não consentida utilizando deepfakes dobram a cada seis meses, e os fraudes relacionados a essa tecnologia aumentaram dez vezes entre 2022 e 2023. Esses avanços representam um desafio considerável para sistemas de segurança que dependem de autenticação biométrica.
Uma vez obtidos, esses dados são vendidos na dark web. O valor da biometria roubada varia conforme a quantidade e a qualidade das informações vazadas. Em marketplaces clandestinos, criminosos podem comprar impressões digitais clonadas por valores entre US$ 5 e US$ 100, enquanto perfis biométricos completos (que incluem rosto, íris e digitais) podem ser adquiridos por até US$ 500. Esses dados são então utilizados para fraudes bancárias, invasões de contas, criação de identidades falsas e até mesmo para operações de espionagem.
3.2. Riscos para indivíduos, empresas e governos
A comercialização ilegal de dados biométricos não afeta apenas as vítimas cujas informações foram roubadas: seus impactos se estendem para empresas e até para governos. Os danos podem ser irreversíveis e gerar prejuízos financeiros, perdas reputacionais e até comprometimento da segurança nacional.
Para os indivíduos, o roubo de biometria significa uma vulnerabilidade perpétua, permitindo que criminosos utilizem esses dados por anos. Para empresas, o impacto é igualmente severo: vazamentos de dados biométricos podem resultar em multas milionárias, processos judiciais e perda de credibilidade. Quando clientes descobrem que seus dados foram comprometidos devido a falhas na segurança da empresa, a confiança na marca é fortemente abalada.
Já no caso dos governos, a vulnerabilidade de bases biométricas pode comprometer a segurança nacional. Se criminosos ou grupos mal-intencionados obtêm acesso a bancos de dados estatais, pode-se abrir precedentes para fraudes massivas em documentos oficiais, usurpação de identidade e até mesmo espionagem governamental.
3.3. Monitoramento em massa e privacidade violada
Em muitos países, sistemas de reconhecimento facial e análise de comportamento estão sendo implementados sem transparência, permitindo que governos e corporações monitorem a população sem seu consentimento explícito.
A falta de regulamentação adequada permite que empresas coletem e armazenem biometria de usuários sem critérios claros. Um estudo do Privacy International revelou que diversas grandes empresas utilizam dados biométricos para análise de comportamento do consumidor sem que os usuários tenham plena ciência disso. Nos Estados Unidos, casos de uso indevido de reconhecimento facial para controle de acesso em lojas e eventos levantaram questionamentos sobre quem tem o direito de capturar e armazenar informações tão sensíveis.
Além disso, há riscos associados ao armazenamento prolongado dessas informações. Como vimos, diferente de dados bancários ou endereços de e-mail, dados biométricos não podem ser alterados caso um sistema seja comprometido. Isso significa que se uma base de dados governamental ou corporativa for “hackeada”, milhões de pessoas podem ficar permanentemente vulneráveis.
Por outro lado, a discussão sobre vigilância biométrica não se limita apenas à segurança pública. A coleta massiva de dados pode ser utilizada para perfis comportamentais, influenciando decisões como concessão de crédito, oportunidades de trabalho e até monitoramento político. A ausência de regras claras abre um precedente perigoso, transformando a biometria em uma ferramenta de controle social em vez de um mecanismo de segurança.
Dessa forma, a questão é: até que ponto a adoção da biometria para segurança justifica a perda de privacidade?
3.4. Regulamentações e penalidades (GDPR, LGPD, CCPA)
Diante dos riscos crescentes envolvendo a coleta e o uso indevido da biometria, diferentes legislações ao redor do mundo tentam impor diretrizes mais rígidas para evitar abusos. No entanto, a aplicação dessas regras ainda enfrenta desafios, especialmente diante do avanço das tecnologias de falsificação e da falta de uma padronização global.
A União Europeia, por meio do GDPR (General Data Protection Regulation, em português, Regulamento Geral de Proteção de Dados), estabelece que dados biométricos são informações pessoais sensíveis. Isso significa que empresas e governos só podem coletar biometria se houver uma justificativa legítima e consentimento explícito do usuário. O descumprimento pode resultar em multas de até 4% do faturamento global anual da empresa ou €20 milhões (o que for maior). Várias corporações já foram penalizadas por falhas na proteção da biometria, reforçando a importância da conformidade.
No Brasil, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) segue princípios semelhantes aos da GDPR, exigindo transparência na coleta, armazenamento e compartilhamento de dados biométricos. No entanto, sua fiscalização ainda é um desafio, e casos de vazamentos de biometria nem sempre resultam em penalizações severas, levantando dúvidas sobre a efetividade da lei na prática.
Nos Estados Unidos, a CCPA (California Consumer Privacy Act, em português, Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia) dá aos consumidores do estado o direito de saber quais dados biométricos estão sendo coletados por empresas e de solicitar sua exclusão. Além disso, a lei impõe restrições ao compartilhamento dessas informações sem autorização explícita. O problema, no entanto, é que a CCPA se aplica apenas à Califórnia, deixando milhões de norte-americanos sem uma legislação federal robusta para proteger seus dados biométricos.
Mesmo com essas regulamentações, a proteção da biometria ainda enfrenta desafios consideráveis. Os principais obstáculos incluem:
- Dificuldade de fiscalização: muitos vazamentos biométricos ocorrem em redes clandestinas, dificultando a responsabilização dos criminosos;
- Falta de padronização global: empresas multinacionais precisam lidar com diferentes legislações ao redor do mundo, dificultando a aplicação de políticas unificadas de proteção de dados;
- Evolução das técnicas de falsificação biométrica: tecnologias como deepfake e spoofing avançam mais rápido do que as leis conseguem acompanhar, deixando brechas para fraudes cada vez mais sofisticadas.
Diante desse cenário, é evidente que as regulamentações, por si só, não são suficientes. Assim, a adoção de boas práticas de proteção digital e tecnologias avançadas de segurança são essenciais para conter os riscos e evitar que esses dados sejam explorados por criminosos.
Na próxima seção, vamos explorar as principais estratégias para proteger dados biométricos, desde consentimento e criptografia até soluções empresariais para reforçar a segurança. Continue acompanhando!
4. Boas práticas para proteger seus dados biométricos
A crescente digitalização das interações sociais e comerciais impulsionou o uso de dados biométricos para autenticação, segurança e identificação. No entanto, a proteção dessas informações ainda é um desafio.
A seguir, abordamos as principais boas práticas para proteger dados biométricos, considerando aspectos regulatórios, tecnológicos e estratégicos.
4.1. Consentimento e transparência na coleta
A segurança da biometria começa antes mesmo do armazenamento. Empresas e organizações precisam adotar políticas claras de consentimento e transparência, garantindo que o usuário compreenda exatamente como seus dados estão sendo coletados, armazenados e utilizados.
Confira boas práticas para coleta segura de biometria:
- Consentimento informado e explícito: as pessoas devem ser claramente notificadas sobre a finalidade da coleta e devem autorizar de forma ativa o uso de seus dados;
- Finalidade específica: os dados biométricos devem ser coletados apenas para fins claramente definidos, e o usuário precisa saber exatamente por que e como suas informações serão utilizadas;
- Direito de revogação e exclusão: usuários devem ter o direito de solicitar a remoção de seus dados biométricos de um sistema caso não desejem mais utilizá-lo;
- Proibição de compartilhamento indevido: dados biométricos não podem ser reutilizados para outros fins ou vendidos para terceiros sem autorização explícita do usuário.
Para termos um exemplo prático, em 2019, a empresa Clearview AI foi processada por coletar imagens faciais de usuários da internet sem consentimento para criar um banco de dados de reconhecimento facial usado por agências policiais e empresas privadas. Esse caso gerou preocupações globais sobre o uso indiscriminado de biometria e resultou em diversas ações judiciais.
4.2. Importância da criptografia robusta
Mesmo que uma organização siga boas práticas de coleta de biometria, se esses dados não forem armazenados e transmitidos de forma segura, o risco de vazamento continua alto.
As principais tecnologias de criptografia para proteção biométrica incluem:
- Criptografia de ponta a ponta: garante que os dados biométricos permaneçam protegidos tanto no armazenamento quanto na transmissão;
- “Tokenização”: substitui informações sensíveis por identificadores únicos que não podem ser revertidos para a informação original;
- Criptografia homomórfica: permite processar dados biométricos sem precisar descriptografá-los, reduzindo brechas de segurança;
- Armazenamento descentralizado (edge computing): divide os dados entre diferentes servidores para minimizar os danos em caso de invasão.
Outro exemplo prático: em 2024, a Polícia Civil investigou um possível ataque a sistemas de reconhecimento facial em condomínios no interior de São Paulo, onde dados de moradores, incluindo imagens faciais, podem ter sido expostos. O incidente ressalta a necessidade de medidas de segurança robustas, como a criptografia, para proteger dados biométricos.
4.3. Mais recomendações de especialistas em segurança biométrica
A segurança biométrica requer uma abordagem estruturada que combine estratégias de governança, tecnologia avançada e conformidade regulatória. Consultorias globais e especialistas em segurança cibernética, como PwC, Deloitte, Accenture e KPMG, destacam boas práticas para minimizar riscos e garantir a proteção de dados biométricos.
A seguir, apresentamos as recomendações mais relevantes desses especialistas:
- Mapeamento e gestão de riscos:
- Antes de implementar medidas de segurança, é essencial entender onde e como os dados biométricos são armazenados e processados;
- Criar um inventário detalhado dos dados biométricos dentro da organização;
- Avaliar quais pontos do sistema representam riscos e precisam de mitigação;
- Definir protocolos de acesso restrito, garantindo que apenas usuários autorizados manipulem esses dados.
- Políticas de governança e conformidade:
- Empresas devem garantir que suas práticas de segurança biométrica estejam alinhadas a regulamentações nacionais e internacionais;
- Estabelecer diretrizes internas claras sobre a coleta, armazenamento e uso de dados biométricos;
- Assegurar conformidade com leis como LGPD, GDPR e CCPA;
- Realizar auditorias periódicas para verificar o cumprimento das normas e evitar penalizações.
- Tecnologias de segurança para biometria:
- Como já vimos, é importante implementar criptografia de ponta a ponta e uso de tokenização;
- Adotar inteligência artificial (IA) e machine learning (aprendizado de máquina, em português), para detectar padrões suspeitos e fraudes;
- Aplicar autenticação multifatorial (MFA, em inglês, Multi-Factor Authentication), combinando biometria com outros fatores de segurança.
- Monitoramento contínuo e resposta rápida a incidentes:
- Mesmo com medidas preventivas, incidentes de segurança podem acontecer. Monitoramento e planos de resposta estruturados são essenciais;
- Implementar sistemas de detecção em tempo real, identificando atividades suspeitas;
- Criar um plano de resposta a incidentes, garantindo uma reação ágil em caso de vazamento de dados;
- Realizar testes e simulações regulares, preparando a equipe para responder rapidamente a ataques.
- Educação e conscientização:
- O erro humano continua sendo um dos principais vetores de vazamento de dados. Empresas devem investir na capacitação de seus colaboradores;
- Treinar equipes internas e parceiros sobre boas práticas de proteção biométrica;
- Criar campanhas de conscientização, reforçando a importância da segurança digital;
- Aplicar testes de engenharia social, identificando vulnerabilidades antes que sejam exploradas.
Empresas que seguem essas práticas não apenas protegem seus usuários, mas também garantem conformidade regulatória, confiança do mercado e resiliência contra ameaças cibernéticas.
4.4. Empresas e soluções na linha de defesa
A crescente preocupação com a segurança dos dados biométricos exige que organizações implementem soluções avançadas para proteger essas informações contra ameaças cibernéticas. Diversas empresas especializadas oferecem tecnologias que garantem defesa em profundidade, criptografia robusta e monitoramento contínuo, minimizando os riscos de ataques e vazamentos.
Entre os principais players do mercado de segurança cibernética, a Fortinet e a Palo Alto Networks se destacam por suas soluções que protegem redes, dados e infraestruturas críticas contra ameaças cada vez mais sofisticadas. Confira mais detalhes sobre o que cada uma dessas empresas oferecem.
- Fortinet – Segurança integrada para ambientes complexos:
- Seu firewall de próxima geração (NGFW, em inglês, Next-Generation Firewall) chamado FortiGate proporciona inspeção avançada de tráfego, bloqueando ameaças antes que atinjam sistemas sensíveis, como bancos de dados biométricos;
- Suas soluções são amplamente utilizadas em setores críticos, como finanças, saúde e governos, devido à sua capacidade de integrar segurança e alta performance;
- Com tecnologias de inteligência artificial e análise preditiva, a empresa fornece proteção proativa contra malwares, ransomware e ataques direcionados.
- Palo Alto Networks – Inteligência artificial e proteção avançada:
- Sua linha de firewalls de próxima geração (NGFW) utiliza tecnologias avançadas para identificar, analisar e neutralizar ameaças em tempo real;
- A empresa adota a arquitetura Zero Trust, essencial para ambientes que lidam com dados biométricos sensíveis, pois limita acessos não autorizados e reforça a segurança em múltiplos níveis;
- Além dos firewalls, a Palo Alto oferece SASE (Secure Access Service Edge, em tradução livre, Borda de Serviço de Acesso Seguro), uma abordagem que combina proteção na nuvem com análise contínua de ameaças, ideal para empresas que trabalham com biometria em plataformas distribuídas.
A crescente sofisticação das ameaças cibernéticas exige que a segurança biométrica vá além da proteção convencional. Empresas como as mencionadas desempenham um papel fundamental ao oferecer soluções de segurança avançadas para proteger redes, infraestrutura crítica e dados sensíveis.
No entanto, a proteção dos dados biométricos não depende apenas de firewalls e monitoramento de rede: ela também exige abordagens inovadoras, que combinam técnicas de anonimização, autenticação aprimorada e modelagem matemática para reduzir riscos e garantir privacidade.
A seguir, vamos entender quais são essas soluções tecnológicas avançadas, que ajudam a proteger informações biométricas sem comprometer sua eficácia e confiabilidade.
5. Soluções tecnológicas para segurança biométrica
A proteção de dados biométricos exige soluções avançadas para garantir privacidade, precisão e resistência a fraudes. Diante dessa necessidade, diversas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para minimizar vulnerabilidades e reforçar a segurança da autenticação biométrica. A seguir, destacamos algumas das mais relevantes:
- Fuzzy Matching – Minimiza falsificações:
- Permite comparação flexível entre dados biométricos, reduzindo falsos positivos e negativos;
- Melhora a precisão do reconhecimento facial e digital, adaptando-se a pequenas variações naturais dos usuários;
- Dificulta tentativas de falsificação ao exigir padrões mais consistentes para autenticação.
- Differential Privacy – Protege sem comprometer informações individuais:
- Insere ruído matemático nos dados biométricos, impedindo a extração de informações pessoais específicas;
- Possibilita o uso seguro de bancos de dados biométricos sem expor a identidade dos indivíduos;
- Atende a normas de privacidade como LGPD, GDPR e CCPA, garantindo conformidade regulatória.
- Liveness Detection – Identificação de fraudes em tempo real:
- Usa IA para detectar sinais de vida, bloqueando tentativas de autenticação com fotos, vídeos ou deepfakes;
- Analisa movimentos involuntários, como textura da pele, reflexo da luz nos olhos e microexpressões;
- Essencial para sistemas de reconhecimento facial e impressão digital mais resistentes a ataques.
- Arquitetura Zero Trust – Acesso baseado em múltiplas verificações:
- Segue o princípio de “nunca confiar, sempre verificar”, exigindo autenticações contínuas em cada acesso;
- Reduz riscos internos, garantindo que nenhum usuário ou dispositivo tenha acesso irrestrito a sistemas biométricos;
- Integra múltiplas camadas de segurança, como autenticação multifatorial e monitoramento constante.
Essas soluções desempenham um papel muito importante no fortalecimento da segurança biométrica, garantindo que dados sensíveis permaneçam protegidos contra fraudes e acessos indevidos.
6. Skyone: segurança biométrica na nuvem
Na Skyone, entendemos a importância de proteger os dados biométricos em um cenário digital cada vez mais desafiador. Por isso, oferecemos soluções integradas que aliam segurança robusta e praticidade, garantindo a integridade das informações dos nossos clientes.
Nossos principais serviços incluem:
- Migração e gestão segura na nuvem: facilitamos a transição e o gerenciamento de seus sistemas para a nuvem, assegurando que os dados biométricos sejam protegidos por meio de infraestruturas seguras e escaláveis;
- Autenticação unificada (SSO, em inglês, Single Sign-On): implementamos soluções de SSO que permitem aos usuários acessarem múltiplas plataformas com uma única credencial, simplificando o acesso e reforçando a segurança contra acessos não autorizados;
- Criptografia avançada e backup personalizado: utilizamos técnicas de criptografia de ponta a ponta para proteger os dados durante a transmissão e o armazenamento. Além disso, oferecemos opções de backups customizáveis, garantindo a recuperação eficiente das informações em caso de incidentes;
- Monitoramento contínuo e resposta a incidentes: nossas ferramentas de monitoramento em tempo real detectam atividades suspeitas, permitindo respostas rápidas e mitigação de possíveis ameaças aos dados biométricos.
Estamos comprometidos em fornecer soluções aos nossos clientes que não apenas atendam às necessidades atuais de segurança, mas que também se adaptem às futuras demandas tecnológicas. Nossa abordagem proativa garante que seus dados biométricos estejam sempre protegidos contra ameaças emergentes.
Se você busca fortalecer a segurança dos seus dados biométricos e deseja implementar soluções eficazes na nuvem, entre em contato com a gente! Nossa equipe da Skyone está pronta para entender suas necessidades específicas e oferecer as melhores estratégias para proteger suas informações.
7. Conclusão
A biometria revolucionou a segurança digital, oferecendo praticidade e confiabilidade na autenticação de identidades. No entanto, como exploramos neste artigo, esses avanços também trazem riscos significativos, especialmente quando dados biométricos são alvo de vazamentos, clonagem e comercialização ilegal.
O crescimento do mercado clandestino de biometria destaca a urgência de medidas robustas de proteção para empresas e indivíduos. Governos e organizações devem reforçar suas políticas de segurança, adotando tecnologias avançadas, criptografia, autenticação multifatorial e monitoramento contínuo. Regulamentações como LGPD, GDPR e CCPA são essenciais, mas precisam ser acompanhadas por práticas eficazes de governança e compliance (conformidade).
Portanto, segurança biométrica não é um desafio isolado. É preciso investir em soluções em nuvem que garantam proteção escalável e inteligente, combinando infraestrutura segura, criptografia avançada e monitoramento ativo contra ameaças cibernéticas.
Caco Alcoba
Com vasta experiência em cibersegurança, Caco Alcoba é um verdadeiro guardião do mundo digital. Na “Coluna do Caco”, no LinkedIn da Skyone, ele compartilha análises afiadas sobre ameaças cibernéticas, proteção de dados e estratégias para manter a segurança no ambiente digital em constante evolução.
Conecte-se com Caco no Linkedin: https://www.linkedin.com/in/caco-alcoba/