Acelerado pela pandemia, ritmo de crescimento e novos lançamentos deve se manter nos próximos anos, assim como o interesse dos investidores pelo setor

O setor de tecnologia da informação (TI) deve se manter entre os que estarão no foco dos investidores no período pós-pandemia. A perspectiva é de que o ritmo de desenvolvimento, disponibilização e consumo de soluções de TI devem se manter, puxando mais investimentos em desenvolvimento de novos produtos e trazendo mais resultados para as companhias.

Invest Tech, pioneira no investimento em empresas de TI, focada em soluções para empresas, em atividade desde 2008, é um exemplo claro deste movimento. De acordo com o diretor de Private Equity do fundo, Wagner Araújo, os investimentos das empresas na inovação de processos, no investimento em talentos e na melhor experiência de negócio com clientes somente está no começo. Este é um mercado que atingiu US$ 4 bilhões na América Latinasendo US$ 2,4 bilhões somente no Brasil, segundo a LAVCA. “Devido a diversificação do nosso portfólio acompanhamos a adoção de tecnologias e esperamos a manutenção de crescimento de investimentos em tecnologia e serviços pelas empresas”, afirma.

A previsão leva em conta empresas que utilizam a tecnologia como fator crítico para a melhoria de processos, eficiência na gestão de pessoas e a melhora da experiência de seus clientes. Um exemplo é a Sky.One, especializada em soluções para centenas de empresas de desenvolvimento de softwares no Brasil e no exterior, que simplificam a migração de aplicativos para a nuvem. O CEO da companhia, Ricardo Brandão, explica que a consolidação do trabalho remoto, trazida pela pandemia contribuiu muito para o crescimento dos negócios nos últimos meses.

Ele vê esse processo apenas em seu início e prevê que sua evolução vai exigir mais de seus produtos e serviços. “O primeiro movimento foi o de migração para a nuvem, e ainda há muitas empresas nesse caminho. Mas em breve veremos o movimento seguinte, que é o de modernização de aplicações, que deve se basear em um ecossistema de inovação pautado na forma como as empresas se relacionam com seus clientes”, prevê.

Nesse novo cenário, Brandão está direcionando as soluções da Sky.One para acompanhar a necessidade de integração de múltiplos produtos aos ERPs e a maior adesão na utilização de dados pelos seus clientes. “A necessidade de uma maior integração de diferentes produtos abre a possibilidade de construir e oferecer novas soluções para as empresas de desenvolvimento de software para atender a demanda de seus clientes. Isso deve abranger várias verticais, como setor financeiro, varejo e indústria, tudo pautado em integração de sistemas, gestão eficiente de nuvem e novas tecnologias como inteligência artificial e segurança da informação”, diz.

Foco no cliente

O relacionamento das empresas com seus clientes também está no radar da Quality Software. Para o presidente da companhia, Júlio Brito, a disrupção do contato físico com clientes, funcionários e fornecedores criado pela pandemia trouxe a percepção de que as empresas devem oferecer aos seus clientes a mesma experiência online e offline. Seguindo uma evolução semelhante a destacada por Brandão, Brito afirma que no período da pandemia houve uma aceleração muito forte em soluções de relacionadas com o negócio do cliente (front end), exemplificado pela aceleração do crescimento do e-commerce no Brasil.

“A criação e desenvolvimento de uma melhor conexão digital e experiência com o cliente foram um importante alvo da aceleração de investimentos em tecnologia e serviços que vivemos nos últimos meses, e esta aceleração cria um conjunto de demandas de infraestrutura e serviços de tecnologia para atender esse crescimento. Isso exige uma maior eficiência da arquitetura da gestão de times de TI e da aplicação de novas tecnologias, que permitam sua estrutura se ajustar tão rápido quanto necessário”, afirma, lembrando que a corrida do “ouro” deve se dar no aprimoramento do uso de tecnologias surgidas há mais de uma década.

“Estamos falando de tecnologias que chegaram ao mercado no início dos anos 2000 e que demoraram a ter uma democratização de uso e somente começaram a mostrar recentemente o potencial de sinergias quando utilizadas em conjunto”, provoca. É nesse contexto que a Quality deve, cada vez mais, ajudar empresas a definir que experiência querem dar aos seus clientes finais e, partindo daí, que tecnologias e estruturas permitem colocar isso em prática.

“Os segmentos de educação e de saúde são exemplos dessa mudança com o uso de tecnologias como realidade virtual, reconhecimento facial e personalização que estão somente no começo do seu potencial de agregação de valor. O desafio daqui para frente é a integração do mundo físico e do mundo online, através da velocidade de ofertas e conectividade dos usuários em múltiplos canais (Omnichannel) garantindo a mesma experiência em qualquer ponto de contato. É aqui que estarão os próximos cinco ou dez anos de investimentos”, acredita.

Com a mesma visão de aceleração de investimentos em tecnologia, mas com foco em gestão de pessoas, a Ahgora Sistemas, que possui mais de 3.500 clientes corporativos, se viu no olho do furacão causado pelo trabalho remoto e pela necessidade de soluções eficientes para gerenciá-lo. O CEO da companhia, Lázaro Malta, lembra que em março do ano passado, um dia antes do início do lockdown, eles lançaram a solução Anywhere Office, que inclui colaboradores em trabalho remoto em uma plataforma única de gestão e foi amplamente utilizado por seus clientes. “O timing foi perfeito”, comenta.

Para Malta, o período pós-pandemia será marcado pela manutenção do ritmo de migração para a nuvem e de como todo o ecossistema tecnológico, deve se preparar para isso. “Existe ainda um legado gigante de infraestrutura e tecnologia e isso vai colocar um desafio para novas funcionalidades e inovações, que são demandadas pelo crescimento do trabalho colaborativo dentro e fora das companhias, onde se incluem maior assertividade e segurança jurídica na gestão de pessoas e processos”, diz.

Do lado da gestão de pessoas, as empresas deparam-se com desafios crescentes na segurança e a saúde dos colaboradores, na mensuração do desempenho individual e coletivo, bem como no treinamento e engajamento dos talentos. “Novas e mais eficientes ferramentas de treinamento e divulgação de propósito que fortaleçam as culturas serão necessárias. Estamos falando de um novo modelo de trabalho e a gestão tem que se reinventar”, afirma.

E pensando nesse contexto, a companhia vem trabalhando em soluções que tragam uma nova visão sobre o gerenciamento da força de trabalho, agregando instrumentos que levam em conta o empoderamento decisório, a flexibilidade do trabalho remoto e o fortalecimento da cultura. Tudo isso baseado em dados real time. “A nova demanda dos gestores de recursos humanos é por ferramentas que analisem informações em tempo real, porque os eventos e as mudanças ocorrem com muita velocidade. Essas informações é que permitem dirigir uma companhia com eficiência. Principalmente por empresas com funcionários espalhados por localizações diferentes. Os relatórios tradicionais de Business Inteligence já não são mais suficientes, é preciso olhar o presente instantâneo e o futuro imediato. Essas ferramentas serão mandatórias para as empresas de sucesso no futuro próximo”, prevê.

Onde a notícia foi publicada:

Fonte: https://www.datacenterdynamics.com/br/not%C3%ADcias/investimentos-em-ti-continuam-crescendo-no-p%C3%B3s-pandemia/